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28 de março de 2013

Triatlo de Alpiarça

Era apenas o primeiro triatlo da época, mas nos instantes iniciais mais parecia o meu primeiro triatlo... O fato isotérmico parecia não ajustar-se muito bem ao corpo, a água estava fria, muito fria... Tentativa de aquecimento na água e nem por isso me senti confortável mergulhado na albufeira dos Patudos. Cinco minutos para a partida e saída obrigatória da água. Não parei de tremer até ao sinal de partida. Já não sabia bem se era frio ou ansiedade em enfrentar os 750 metros que teria pela frente, no meio de quase 400 atletas à partida. A primeira bóia parecia muito distante! A distância que normalmente corresponde ao aquecimento num treino de piscina, parecia agora um grande desafio...

Decidi levantar-me às 5h00 da manhã, no domingo dia 24 de Março, para estar presente nesta prova, pois serviria como um bom treino de preparação para o triatlo longo de Lisboa que se aproxima e longe já ía o último treino e competição em águas abertas. Era importante voltar a confrontar-me com a habitual "porrada" na partida e nas zonas de contorno das bóias, treinar a navegação, enfim, o habitual numa prova de triatlo. A verdade é que durante a natação, dei por mim a pensar - "como é que eu vou conseguir nadar os 1900m do triatlo longo?". Várias vezes tive de parar parar me "reencontrar" na sequência de uma "pernada" ou uma "braçada" dos meus companheiros de prova que me íam atingindo...Saí da água com o modesto tempo de 16:00 (2'00''/100m de ritmo, a confirmar-se os 800m reais percorridos indicados por alguns GPS dos meus amigos da AASM). Não correu muito bem, mas agora que escrevo esta crónica, já estou ansioso pela próxima oportunidade para fazer melhor, com calma, ao meu ritmo...

Depois veio o segmento de ciclismo, onde me senti bastante bem e motivado por conseguir aguentar o ritmo do grupo onde acabei inserido. Contando com o tempo de transição para a corrida, percorri os 20km pelo circuito sinuoso de Alpiarça com muitas curvas apertadas e pontos de retorno em 38:59 (ritmo de 30,8km/h). E, finalmente, a corrida, que continua a ser o segmento onde me sinto melhor. Foi a ultrapassar do início ao fim. Senti alguma dificuldade a encontrar o meu ritmo após a transição, o que se deve a falta de treino de transição. Corri os 5km em 19:23 (ritmo de 3'52''), terminando com o tempo final de 1h14'24'' na 192ª posição da geral absoluta, sensivelmente a meio da classificação...

No final, a já habitual foto de família da equipa AASM, que se apresentou com 16 atletas, sendo de destacar o 1º lugar da Anette Kind no escalão V3 feminino e o 4º lugar do Emanuel Marques no escalão V2 masculino.

Sempre grandes momentos estes vividos em provas de triatlo...

1 de outubro de 2012

IV Triatlo Varzim Lazer


A foto diz tudo. Estive lá e, verdade seja dita, levado a reboque pelo excelente desempenho dos meus companheiros da AASM, pela primeira vez na minha "carreira" desportiva no triatlo pisei o pódio, fruto do 3º lugar alcançado pela AASM na classificação geral por equipas. Obrigado companheiros! A sensação foi muito boa, mas melhor mesmo foi fazer os 300 metros de natação, seguidos por 10 km de ciclismo e finalmente 2,2 km de corrida, sempre no red line. É um triatlo diferente que, para além de ser muito rápido, tem a particularidade do segmento de natação se disputar em piscina coberta. Mais uma vez pareceu-me uma porta de entrada para novos praticantes da modalidade.

Em relação ao meu principal adversário, eu próprio, consegui bater o meu melhor tempo nesta distância, terminando em 32'41'' (24º da geral em 70 atletas).

A manhã de sábado começou com 25 km de bicicleta, de casa até à P. Varzim para fazer a prova, e no final mais 25 km para o regresso a casa. O próximo objectivo é a Maratona do Porto a 28 de Outubro, pelo que ontem, domingo, fiz o meu último treino mais longo, 29 km. A partir daqui será sempre a descer o volume de treino.



No próximo fim-de-semana, 7 de Outubro, espero fazer a Meia-Maratona de Ovar.

Até breve.

18 de setembro de 2012

Triatlo Olímpico de Aveiro e Meia do Porto

Aveiro recebeu este fim de semana a comitiva nacional e internacional do triatlo, tendo o programa sido preenchido pelas provas da Taça da Europa de Júniores (disputada na distância sprint 750m+20km+5km) e Campeonato Nacional Individual (disputada na distância olímpica 1500m+40km+10km) no sábado, e pela prova do CN de Clubes disputada no formato de estafetas no domingo.

Com as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo governo, sobre as quais não me vou pronunciar aqui, uma coisa ficou certa, o meu raio de acção ficou muito mais limitado no que diz respeito à participação em provas de triatlo, por razões óbvias de carácter orçamental... Mas, Aveiro ainda fica abrangida por esta área e lá fui para participar na prova olímpica com o objectivo de acabar "bem" e fazer melhor do que no ano passado. Por esta altura tinha já decidido que iria fazer a Meia-Maratona do Porto na manhã seguinte, pelo que o objectivo do fim-de-semana estava traçado, fazer as duas provas (sábado à tarde e domingo de manhã) e ainda estar totalmente disponível no domingo após a "meia" para as minhas filhotas, o que implicava ficar com uma boa dose de energia ainda...

Menos 33% de atletas à partida
Mesmo tendo em conta que do programa faziam parte provas internacionais, estava com a sensação quando cheguei a Aveiro que havia menos pessoas (atletas e público) nas imediações do parque de transição. Os números não enganam: uma quebra de 33% na lista de inscritos para a prova do CN Individual em relação ao ano anterior.

Foto: Afonso Estêvão
Nº Inscritos        Ano
129                        2012
193                        2011
190                        2010

Não sei se por razões idênticas às que descrevi...

Água muito melhor!
Já muito se disse e se escreveu sobre a qualidade da água na ria de Aveiro. Invariavelmente, os comentários são sempre negativos. Invariavelmente também, desde a sua primeira edição, a federação volta a organizar a prova no mesmo local e acabamos por lá voltar sempre, com alguma reserva é certo, mas na esperança que seja apenas uma situação desagradável mas que não seja prejudicial à saúde. Bem, quem este ano decidiu não ir por receio da água... Arrependa-se! Pois, na verdade, não tenho nada a apontar. A visibilidade continua nula, o que acaba por ser normal. Quanto a maus cheiros ou objectos estranhos, nada. Por vezes, nos treinos de mar em Matosinhos sente-se a água pior do que aquela que encontrámos em Aveiro. O que quer que o município tenha feita, foi bem feito. Aveiro merecia há muito ter esta qualidade.

Foto: Afonso Estêvão
A minha prova
Na partida, a confusão do costume... Enquanto os atletas da frente iniciavam a um ritmo forte, na luta por uma boa posição à entrada do canal, deixei-me ficar um pouco para trás (facto que aconteceria inevitavelmente mesmo que não fosse propositado) e iniciar o segmento de natação com calma e ir aumentando o ritmo com o desenrolar da prova e em função de como me fosse sentindo. A partida acabou por correr bastante bem e sentia que estava a nadar a um bom ritmo nos primeiros 300m (a julgar pela velocidade com que a margem se "deslocava" no sentido contrário), tirando partido do menor arrasto, fruto das "bolhas" criadas pelo grupo que seguia na minha frente. A partir daí, como se de uma selecção natural das espécies se tratasse, aliás como sempre acontece nas competições, as posições de cada um foram ficando definidas e, embora sentisse outros atletas por perto, não houve toques. Excepção feita na bóia de retorno, onde voltou a haver algum aglomerado, mas tudo correu sem problemas. Estava a sentir-me bem, a nadar no meu ritmo e era só manter até ao fim. A cerca de 400m do final, um percalço... Levo um pancada na perna esquerda que me provocou uma cãibra nos gémeos. Algo terá corrido mal na minha alimentação, pois a pancada, por si só, não explica este efeito. Tentei aguentar-me a nadar sem bater a perna esquerda, ou a bater muito devagar e lá acabou por ir ao sítio. Apesar disso, saí da água com uma boa sensação e com o tempo de 33'59'', menos 1'10'' do que o tempo do ano passado e muito menos cansado.

Pernas para que te quero
A partir daí, só deu pernas! Primeiro na bicicleta, onde fui incapaz de alcançar alguém à minha frente, mas mantive o ritmo que estava à espera, 30km/h de média num percurso muito sinuoso de 6 voltas, cada uma com 4 subidas curtas acentuadas, 1 subida longa, 1 descida com vento desfavorável, 4 pontos de retorno e mais umas curvas apertadas. Creio que será um dos percursos mais difíceis do calendário nacional na distância olímpica. Quem diria, sendo Aveiro uma cidade reconhecidamente sem desnível e boa para andar de bicicleta...

Foto: Afonso Estêvão

Depois foi a corrida, onde me sinto mais à vontade e fui recuperando várias posições, com o tempo de 44'35'', correspondendo ao 62º melhor tempo (ou 67º pior tempo), cortando a meta na 96ª posição da geral com o tempo de 2h40'17'' (menos 17 minutos que em 2011 no meu primeiro olímpico). A mazela da natação ficou lá até ao fim, mas deu para aguentar.

Foto: Afonso Estêvão

No final, acabei bem como desejava e já a pensar nos 21,1km que iria correr na manhã seguinte...


Ultrapassar as barreiras da mente
Ao acordar na manhã seguinte, apercebi-me que afinal, apesar de ter terminado bem no dia anterior, o esforço tinha deixado marcas, em particular nos gémeos da perna esquerda. Aquilo que tinha sido apenas uma decisão espontânea em inscrever-me na prova, já se tinha tornado num grande objectivo. Tinha que provar a mim mesmo que seria capaz de correr a meia-maratona, partindo já cansado de uma prova no dia anterior. Desistir não era a opção. Afinal seria um bom treino para a Maratona em Outubro...

A verdade é que depois de um breve aquecimento, senti-me bem e fiz a prova toda de forma confortável, a desfrutar do momento e sem sofrimento, terminando com o tempo de 1h33'37'' (4'26''/km de média), a apenas 1 segundo do meu melhor tempo conseguido nesta prova no ano passado! Afinal, os limites físicos ainda estavam muito longe. Era a minha mente que me estava a colocar barreiras no caminho. Os gémeos choram, mas só pode ser de alegria...




7 de maio de 2012

Lisboa Triathlon - Fantástico

Quando iniciei a última volta do segmento de corrida, entrando nos últimos 5,275 km, um misto de sensações começava a apoderar-se de mim... Ora chorava, ora ria à gargalhada! Pensar no que já tinha deixado para trás dava-me motivação e força para continuar. Começava a acreditar que iria ser possível alcançar o objectivo, sem lesões, sem sofrimento excessivo. Afinal estava preparado! Mas, ao mesmo tempo, sentia-me emocionado com o aproximar da meta, não só pelas mais de 5 horas já passadas em pleno esforço físico, mas também por todo o percurso de treino que fiz até ali. Por todas as madrugadas que saltei da cama para treinar, de noite, por vezes a chover... Gosto muito de praticar desporto, nadar, andar de bicicleta, correr... É assim que quero viver, em plena harmonia com a minha vida familiar e profissional, mas, de facto, para chegar até aqui tive que me submeter a algum sacrifício e muita disciplina, precisamente para não abdicar de estar com a minha família. Tinha valido a pena todo esse esforço. Eu sabia que eles iriam ficar orgulhosos de mim, o meu pai, que me acompanhou a Lisboa e se manteve de pedra e cal durante toda a prova a dar-me apoio, a minha mãe, a minha esposa, que só não me acompanhou porque a barriga já impõe respeito e precaução e as minha filhotas Beatriz e Inês, esta ainda na barriga da mamã. Muito obrigado por me fazerem feliz.

Após 5h36m46s e 1.900 metros de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida, cortei a meta. Que sensação fantástica! Sem dúvida, foi a prova que mais prazer me deu fazer, não obstante os momentos difíceis que foram surgindo com o acumular da fadiga física e psicológica. Um excelente desafio à nossa capacidade de determinação.




Para muitos, mesmo muitos, para além dos 257 que ficaram à minha frente, trata-se de um feito em nada especial... Mas por favor, deixem-me viver este momento! Há bem pouco tempo achava que isto seria impossível para mim...

O Triatlo Internacional de Lisboa é uma prova fantástica. Excelente organização. Um enquadramento paisagístico de excelência. A presença de atletas oriundos de todo o mundo. O preço a pagar por isto parece-me excessivo...



Até breve!


3 de maio de 2012

Rumo a Lisboa

O tão aguardado momento está a chegar... Eu sabia que ao longo do plano de treino este iria parecer não ter fim e o dia da prova parecer nunca mais chegar. E assim foi... Eu sabia que quando chegasse o momento, ao olhar para trás, iria parecer que passou num instante. E assim está ser... E agora, será que estou preparado? A resposta só a vou ter no próximo sábado com o decorrer da prova. Talvez estivesse à espera de, por esta altura, já ter a resposta. Mas, talvez, isto faça parte do desafio. Se eu já soubesse que era capaz, certamente não seria a mesma coisa. Estaria, provavelmente, a definir outros objectivos...

Aqui fica o meu programa para os próximos 2 dias.




















Quanto à despesa, não é uma brincadeira barata... Fica aqui um sumário da despesa efectuada até ao momento. Talvez isto tenha tido impacto na fraca adesão de portugueses, quando comparada com a participação de atletas espanhóis, que certamente terão custos mais significativos na deslocação...








Resta-me então relaxar e aguardar pelo momento, mas confesso que já sinto alguma ansiedade que, provavelmente, se irá intensificar à medida que se aproximar a hora da partida. Algumas dúvidas começam a assolar-me a mente, como, "Será que treinei o suficiente?", "Será que me vou sentir bem?", "Estarei a alimentar e a hidratar-me correctamente?"

Até já!

21 de fevereiro de 2012

Posição Aerodinâmica no Triatlo - Os Avanços

Esta é a posição habitual dos ciclistas em etapas de contra-relógio. Na verdade, não é uma simples mudança de posição na bicicleta, em relação à posição adoptada noutras etapas de longo curso, mas todo o equipamento do ciclista e a própria bicicleta apresentam inúmeras diferenças. Todas com vista a reduzir a força de arrasto do conjunto homem-máquina e consequentemente maximizar a velocidade. Então porque é que não usam estas bicicletas em todas as etapas? A resposta é simples. Porque o regulamento  da UCI não o permite. Na verdade, estas bicicletas também não seriam a melhor opção para subir uma montanha, fazer um percurso sinuoso ou andar em pelotão, sobretudo por uma questão de segurança.

Fonte: bicycle.net
Mas, é sobre uma dessas diferenças na bicicleta, apenas, que hoje aqui escrevo: o guiador, em particular os avanços. Estes permitem apoiar os braços de tal forma que obrigam o tronco a ficar próximo da posição horizontal e, por outro lado, quando visto da frente da bicicleta, os braços ficam numa posição mais fechada, fazendo com que a parte do corpo mais larga passe a ser a zona dos ombros e/ou da anca, contribuindo para uma melhor aerodinâmica. Na foto, David Zabriskie numa posição aerodinâmica exemplar, antebraços paralelos à estrada e paralelos entre si, cotovelos próximos, braços perpendiculares aos antebraços, costas praticamente na horizontal.

E porquê no triatlo?
À semelhança de uma etapa de ciclismo em contra-relógio, nas provas de triatlo longo (Ironman e Half-Ironman) os atletas circulam isoladamente, pois não é permitido "andar na roda", isto é, tirar partido do efeito de cone de ar de outro atleta. Nestas provas, é permitido o uso de bicicletas do tipo contra-relógio. Na verdade, no mercado de bicicletas, estas são normalmente designadas como Time-Trial/Triathlon. Para os atletas com aspirações de atingirem um bom lugar, todos os detalhes contam, pelo que a opção de usarem uma bicicleta deste tipo é fundamental.

Triatlo Olímpico, Sprint e Super-Sprint
Em Portugal, nas provas disputadas nestas distâncias, salvo raríssimas excepções, é permitido "andar na roda". O regulamento técnico de triatlo da FTP não é tão restrito quanto à geometria da bicicleta quanto o regulamento de ciclismo da UCI, sendo permitido o uso de avanços no guiador nestas provas. No entanto, estes não podem ser do mesmo tipo das bicicletas de contra-relógio e têm que obedecer ao especificado na alínea g), do 1º parágrafo, do artigo 30º, que passo a citar:

- "Os avanços de guiador serão permitidos se não excederem 15cm além do eixo da roda da frente, se não ultrapassarem a linha imaginária que une as alavancas dos travões e as suas extremidades estiverem ligadas entre si".

Aqui não há consenso entre os atletas. Uns usam, outros não...

Nestas provas os percursos são, normalmente, mais sinuosos, por vezes com várias inversões a 180 graus, e quando inserido num grupo, torna-se perigoso andar com os braços apoiados nos avanços, pois o controle sobre a bicicleta diminui e as mãos estão mais longe das alavancas dos travões. De referir também, que os avanços permitidos para estas provas não podem ter as alavancas de mudança de velocidade incorporadas, ao contrário das bicicletas de contra-relógio. Por tudo isto e com o peso extra na bicicleta que representam, muitos atletas optam por não usar.

Porém, de acordo com a minha experiência, continuo a optar por usar. O peso extra, cerca de 350 gramas, é irrelevante face ao que ainda tenho para evoluir nas pernas... A possibilidade de descansar os braços após o segmento de natação, constitui também um aspecto muito positivo.

Os meus avanços
Afinal, é sobre a minha experiência que este blogue se trata... Optei por colocar uns avanços de guiador na minha bicicleta convencional de estrada do tipo clip-on, isto é, que se montam directamente sobre o guiador original. Existem inúmeras opções no mercado, ao nível dos materiais, geometria, tipo de aperto, com ou sem afinação, mas, poucos cumprem o regulamento da FTP que acima referi. Os que comprei (Vision Carbon Pro Clip-On J-Bend 270mm) também não cumpriam... Ultrapassavam as alavancas dos travões e não eram unidos nas extremidades. Apenas os comprei por se tratar de uma promoção de 70%! Assim, tive que proceder a um retrabalho dos mesmos, cortando-os à medida e fazendo uma união com fita adesiva na extremidade. Até à data, têm passado com sucesso nas verificações técnicas.

As verificações técnicas no triatlo
Chamo mesmo a atenção para o regulamento técnico de triatlo, no que diz respeito aos avanços de guiador, pois os árbitros são instruídos no sentido de terem especial atenção a este pormenor durante as verificações técnicas. E digo-o por experiência própria...

Os avanços que me recuaram
Antes de proceder ao retrabalho dos avanços, ainda arrisquei uma participação num triatlo...

Estava já na praia, junto à linha de partida, com o fato isotérmico vestido, apenas a alguns minutos da partida do triatlo de Quarteira, a tentar descontrair para iniciar a prova com calma... Quando, de repente, um árbitro vem ter comigo a dizer que tenho que ir urgentemente corrigir a posição dos avanços, caso contrário não poderia iniciar a prova! O objectivo de iniciar a prova com calma já tinha ido "por água abaixo"... De facto, minutos antes tinha ficado com a sensação de ter ouvido ou meu nome nos altifalantes, mas de imediato pensei -"que disparate, não pode ser". Enquanto corria desesperadamente em direcção ao parque de transição, passava-me pela cabeça como seria possível, depois de ter feito 600km até ao Algarve com a família, acabar, ou não começar, desta forma, pois eu sabia que os avanços não tinham afinação, não tinha ferramentas ali para os retirar e não teria tempo para as tentar arranjar... O árbitro na primeira verificação talvez não tenha reparado, pelo facto de ter o fato sobre o guiador... Perante isto, o árbitro teve um comportamento extraordinário! Mandou-me de imediato para a partida e, ele próprio, se encarregou de pegar na bicicleta e proceder à remoção dos avanços durante o meu segmento de natação. Quando lá cheguei , a bicicleta estava no sítio certo, pronta para iniciar o segmento de ciclismo. Pena não saber o nome do árbitro mas, mais uma vez, muito obrigado!

2 de fevereiro de 2012

Plano de Treino de Triatlo, 5+1 Regras de Ouro


A época de Duatlo até já começou, mas o ano ainda está no incício, pelo que se ainda não tens o teu plano de treino definido, tem em conta as seguintes regras que considero importantes.

Estas pressupõem um plano de treino com 6 sessões por semana, 2 sessões por modalidade, com o objectivo de participar numa determinada prova. No entanto, podem facilmente ser interpretadas para outros esquemas de treino, eventualmente mais focados numa modalidade ou com sessões de treino com duas modalidades.

  1. Cada modalidade deve ter uma sessão curta e uma sessão longa por semana.
  2. A sessão curta deve representar cerca de 60% da sessão longa em termos de tempo de treino.
  3. O plano deve ter ciclos de 4 semanas. A 4ª semana de cada ciclo deve ser reduzida em cerca de 25% em relação à semana anterior. Isto vai ajudar a assimilar o treino desenvolvido até então, evitar acumular cansaço e reduzir o risco de lesões.
  4. As 2ª e 3ª semanas de cada ciclo, devem aumentar cerca de 10%, em tempo, em relação à semana anterior, respectivamente. A 1ª semana de cada ciclo deve começar com o mesmo volume de treino da 3ª semana do ciclo anterior. Uma vez mais, fundamental para evitar o risco de lesões.
  5. No último ciclo de 4 semanas antes do dia da prova, deve atingir-se o pico máximo, em tempo de treino, na 2ª semana. Mas, as 2 últimas semanas devem ser de descanso activo, por exemplo, praticar apenas uma modalidade por semana, não mais do que 60% da distância a percorrer no dia da prova. Não vais perder a forma nestas 2 semanas...

E, por último, mas igualmente importante, se um dia não puderes treinar, não entres em stress, relaxa... O teu corpo vai agradecer mais uma oportunidade para descansar! Retoma o treino na sessão seguinte sem qualquer problema.

Bons treinos!

26 de janeiro de 2012

Plano de Treino 2012

Partilho aqui o meu Plano de Treino 2012. Para já está apenas definido até ao grande objectivo do ano a 5 de Maio. Até lá, vou mantendo-o actualizado com os treinos realizados e partilhado na barra lateral deste blogue.

Após duas semanas de paragem forçada devido a uma gripe, que acabou por se transformar em infecção pulmonar, espero voltar gradualmente aos treinos já na próxima semana...

20 de janeiro de 2012

Objectivo Longo


"Definir objectivos é uma das características que distingue os atletas dos praticantes de desporto." [triathlete Jan, 2012]

Este é o meu principal objectivo desportivo para 2012: terminar o meu primeiro triatlo longo. Espero fazer a minha estreia no Triatlo Internacional de Lisboa a 5 de Maio. Até lá, seguem-se 15 semanas de treino, ao longo das quais espero, acima de tudo, tirar prazer em praticar triatlo. Certamente que, dado o aumento do volume de treino e a dificuldade do seu encaixe no dia-a-dia, vão surgir momentos de fadiga, desmotivação, insegurança... Mas também vão ser esses momentos de dificuldade ao longo do percurso que mais tarde maior prazer terei em recordar, talvez até mais do que o atingir da meta, e me tornarão melhor como atleta e, quem sabe, como pessoa... A prova começa hoje!


9 de janeiro de 2012

7 dicas de treino para manter a motivação

Certamente que muitos outros conselhos poderiam ser discutidos, mas estes são os 7 mais importantes que elegi de acordo com a minha experiência.

1. Define objectivos de curto prazo.
Por exemplo, participar numa prova, percorrer uma nova distância ou melhorar uma marca no triatlo. Mesmo que tenhas um grande objectivo a atingir no prazo de um ano, vai definindo pequenas metas intermédias. Isso vai ajudar-te a ter uma noção do teu progresso e a manter-te motivado. Sugiro que o intervalo de tempo entre essas metas não exceda 8 semanas. Consulta aqui o Calendário de Provas de Triatlo, Duatlo e Aquatlo 2012 e o respectivo Guia de Competições 2012 da FTP.

2. Segue um plano de treino.
Definido o objectivo, o passo seguinte é definir um plano de treino adequado a esse mesmo objectivo e, acima de tudo, adequado à tua condição física. Deixo aqui como sugestão algumas fontes que usei.
 

3. Se um dia não te apetecer treinar, não treines!
Não deixes que o teu plano de treino se torne numa obrigação. Provavelmente, a frustração que vais sentir no dia seguinte por teres sucumbido à preguiça, vai dar-te a lição que precisas para te manteres fiel aos treinos por mais algum tempo.

4. Se não puderes treinar, não faças disso um problema...
Simplesmente ignora e retoma os treinos na sessão seguinte, tal como se tivesses cumprido a sessão anterior. Não tentes intensificar o treino seguinte para compensar o que falhaste. Um plano de treino é apenas um guia. Se não for cumprido à risca, não estás necessariamente condenado ao fracasso, desde que penses sempre no treino seguinte, no teu objectivo final e mantendo um pensamento positivo.

5. Faz uma modalidade diferente em treinos consecutivos.
Por exemplo, natação, ciclismo, corrida. Isso vai ajudar-te a evitar a rotina e a manter a vontade em praticar cada uma das modalidades do triatlo. Mesmo dentro da mesma modalidade, alterna entre treinos curtos e rápidos com treinos longos e, naturalmente, mais lentos. Varia também os percursos, a música que ouves, etc.

6. Regista os teus treinos.
Quando decidimos fazer uma poupança e vamos fazendo pequenos depósitos nessa conta, vermos o montante a crescer a partir de um determinado valor constitui uma fonte de motivação para continuarmos a aplicar as medidas que nos permitem fazer essa poupança. Consultar o saldo é como confirmar que essas medidas estão a surtir efeito e vão permitir-nos alcançar o objectivo desejado. Com o treino passa-se algo semelhante. Perceber a qualquer momento quantos quilómetros já percorreste, quantas horas passaste em cima da bicicleta, quantas calorias gastaste, etc, desde que começaste a treinar, constitui uma potencial fonte de motivação para continuar a acumular quilómetros, pois estes números podem facilmente atingir valores que não imaginavas. Existem no mercado inúmeros auxiliares de treino que te permitem fazer este registo de forma automática. Caso não disponhas de um dispositivo destes, usa apenas um relógio com cronómetro e usa o Google Earth para medir as distâncias que percorres. Aconselho-te a registar também as condições climatéricas (temperatura, vento). Isso vai ajudar-te a compreender as diferenças de prestação entre treinos.

7. Fica atento aos sinais do teu corpo.
Uma das maiores, se não mesmo a maior, frustração que pode acontecer a um atleta ou qualquer desportista amador, é ter que parar devido a lesão. Se sentires algum sinal de dor e esta for aumentando à medida que continuas o treino, pára! Se não for possível parar, baixa consideravelmente o ritmo e regressa a casa. Chegado a casa faz alongamentos e aplica gelo. Se for necessário, pára mesmo por uns dias ou até mesmo uma semana. Essa paragem não te irá fazer perder a forma, ao passo que uma paragem mais longa para curar uma verdadeira lesão, sim. O regresso aos treinos, após um período de paragem devido a lesão, acarreta sempre alguma frustração devido à perda de forma física que vais sentir, ficando a sensação de todo o teu trabalho (treino) ter ido por água a baixo...


 

5 de janeiro de 2012

Diz-me como treinas, dir-te-ei como competes...

Aqui ficam os meus totais de treino de 2011, por modalidade, em tempo e distância. Os valores não são nada extraordinários, eu sei... Mas foi o melhor que consegui, na difícil tarefa de gerir o meu dia-a-dia entre o trabalho, a família e os treinos, na maioria das vezes treinando antes do dia acordar...

Pedro Reis Total Treino Triatlo 2011

Algo que aprendi com o desporto, em particular na participação em provas, é que a expectativa num determinado resultado rapidamente se remete à realidade do que treinaste até então, não só em volume mas também em qualidade. Diz-me como treinas, dir-te-ei como competes...

1 de janeiro de 2012

Corre pela Vida, ou a Vida corre contigo!

Aqui está a primeira mensagem neste blog. Feliz Ano Novo!

Ao longo deste blog tenciono não só partilhar as minhas aventuras nas competições de triatlo, mas também partilhar informação interessante sobre temas como planos de treino, nutrição, equipamento, preparação para as provas e muito mais...

Nesta primeira mensagem gostaria de aflorar um pouco uma questão que certamente todos os corredores, nadadores, ciclistas ou quaisquer outros atletas amadores de fundo já se colocaram. -"Porque é que eu faço isto?". E, pior, porquê querer fazer três modalidades seguidas? A questão talvez seja demasiado profunda para o dia 1 de Janeiro, mas penso que é intrínseco à natureza humana. Depois de descoberto o prazer de praticar exercício físico (e isso pode doer e demorar algum tempo até se atingir esse patamar), acaba por ser natural procurar sempre mais, tentando superar metas antes consideradas inatingíveis, simplesmente porque o desafio está mesmo ali à espreita. João Garcia, famoso alpinista português e também triatleta, quando questionado sobre a razão pela qual queria escalar o Evereste, fez referência a George Mallory, um grande Senhor do alpinismo, que respondeu à mesma questão tão simplesmente -"Porque ele está lá!".

No meu caso, tudo começou com o objectivo de perder alguns quilos, em meados de 2004. Após alguns passeios numa bicicleta da categoria "supermercado", provei a mim mesmo que essa vontade talvez não fosse passageira e merecia algo melhor. Comprei uma bicicleta de estrada. Rapidamente os treinos tornaram-se quase diários e cada vez mais longos. À mesma velocidade, aqueles quilos a mais ficaram no asfalto e, esquecendo-me de qual teria sido a minha motivação para começar, dei por mim cada vez mais focado em fazer melhor, mais rápido, mais longe...
A corrida surgiu ocasionalmente em 2005, através do convite de amigos em participar numa corrida popular no Porto de 10km. Ah, o convite surgiu uma semana antes da prova, pelo que não fiz qualquer tipo de preparação. Na verdade, nunca teria corrido mais de 2 ou 3 km sem parar... Com bastante sofrimento lá cheguei ao fim com um tempo decente de 52 minutos. Nascia aqui o bichinho da corrida. Lá estava eu novamente a pensar quando seria a oportunidade seguinte para tentar fazer melhor. A corrida foi ganhando dimensão na minha vida pela sua simplicidade e eficácia na manutenção da forma física. Bastava chegar a casa, calçar as sapatilhas e começar a correr, estivesse calor, frio ou chuva, sem grande preparação ou logística associada.

Fui assim definindo sucessivamente novos objectivos desportivos e tornei-me num habitué das corridas da cidade do Porto nos anos seguintes. Até que descobri o Duatlo, prova constituída por um segmento inicial de corrida, seguido de um segmento de ciclismo e terminando com um novo segmento de corrida. Apontei as baterias para o Duatlo de Matosinhos, prova do campeonato nacional individual de duatlo (10km+40km+5km), segui um plano de treino de 12 semanas e, a 17 de Abril de 2010, lá estava eu a cumprir mais um objectivo, terminando a prova em menos de 3 horas... Senti que era a prova mais dura que tinha feito até ao momento e, por sinal, era mesmo dura, pois durante os últimos km de corrida suou-me aos ouvidos -"isto é mais duro do que um triatlo". Ai é? Então quero saber! Devo agradecer a esse atleta anónimo ter proferido essas palavras em momento tão oportuno. Quando acabei a prova, a minha cabeça já estava no triatlo. Não sei bem a que distância de triatlo ele se estava a referir e, naturalmente, deveria ter um nível de natação bem superior ao meu, mas só ouvi a parte que me interessava.

Poucas semanas depois, lá estava eu determinado a preparar-me para o meu primeiro triatlo, mesmo tendo em conta que já não nadava há... não sei bem, mas seguramente bastante antes do início que esta mensagem de hoje relata. O objectivo viria a ser cumprido poucas semanas depois no Triatlo de V.N. Gaia, na distância sprint (750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida), prova integrada na Taça de Portugal. Nesse mesmo ano, viria ainda a concluir a minha primeira Maratona (42,195km a correr pelas ruas do Porto e Gaia).

Desde que pratico triatlo, sinto-me muito mais completo fisicamente, tendo o risco de lesões, muitas vezes originadas pela corrida, desaparecido quase por completo. Constitui também uma fonte de motivação para a aplicação de outras práticas de vida saudável, sobretudo com a alimentação.

Define objectivos realistas. Prepara-os cuidadosamente. Segue um plano de treino. Tu vais conseguir alcançá-lo!

Bons treinos para 2012!

"Corre pela vida, ou a vida corre contigo!"

Pedro Reis Triatlo Gaia 2010
O meu primeiro triatlo, V.N.Gaia 29/08/2010

Pedro Reis Maratona Porto 2010
A minha primeira Maratona, Porto 07/11/2010