9 de maio de 2014

Regresso às Corridas

27 de Abril marca o meu regresso às provas de atletismo. Aliás, foi mesmo a minha primeira prova do ano. A última tinha sido no dia 3 de Novembro de 2013, na Maratona do Porto.


O final do ano passado fica bem (mal) recordado por cinco semanas de paragem nos treinos, devido a uma gripe, ou a uma sucessão de gripes, que teimaram em fustigar-me e evoluir para um quadro de infeção nos bronquios. Inicio então a atividade física no presente ano de forma moderada, mas ainda com alguns resquícios dos efeitos causados pelas bactérias que se haviam alojado no meu corpo.

Em Fevereiro, estava já em plena atividade física e a tentar recuperar a forma, mas é logo no início de Março que novo contratempo me atira, literalmente, ao chão. Desta feita, bem mais grave, pois durante um treino de ciclismo acabo no chão depois de ser abalroado por um automóvel, resultando, entre outros ferimentos e danos materiais, numa fratura da omoplata.

Novo período de paragem... Novo período de recuperação e, ainda hesitante, acabei por me inscrever no Grande Prémio de Atletismo União Nogueirense. A hesitação até nem era pelo ombro que, a correr já não me incomodava nada e na natação a evolução estava a ser muito positiva... Mas, era uma lesão lombar que estava a limitar-me muito nos treinos, talvez devido aos sucessivos períodos de paragem.

Uma prova realizada na Maia, com partida e chegada junto ao Estádio Municipal Nogueirense F.C., com um trajeto a percorrer também as freguesias de Silva Escura e Vermoim e a passar à porta de casa, por duas vezes, não seria capaz de, pelo menos, não tentar participar. E assim foi, depois do habitual treino de natação de domingo às 8h00 com a equipa AASM Triatlo, desloquei-me a correr, já a partir de casa, para a linha de partida, marcada para as 10h30.

O resultado acabou por ser surpreendente. Num percurso sinuoso, com bastante empedrado e algumas subidas, senti-me sempre forte ao longo de toda à prova e geri bem o esforço, tendo terminado com o tempo de 0:38:07, na 32ª posição da geral, entre mais de 300 atletas. Um tempo que se aproxima muito da minha melhor marca nesta distância, o que me permite antever que posso muito em breve batê-la, caso não surjam outros contratempos e a oportunidade assim surja.

Afinal, estava era mesmo a precisar de voltar a sentir a adrenalina da competição para elevar a moral e voltar a treinar com confiança. No dia seguinte, de novo no treino de natação, acabo por ter o meu melhor desempenho do ano!

Não importa como cais, mas sim como te levantas...

4 de janeiro de 2014

Balanço 2013

Este terá sido um dos principais momentos do ano de 2013. O culminar de um fim-se-semana divertido em família. Um triatlo longo com as meninas a apoiar. Uma prova em que me senti sempre bem. Condições climatéricas perfeitas. Um recorde pessoal e, cereja no topo do bolo, cortar a meta com a Beatriz e a Inês! So, so good...


Quanto ao balanço desportivo de 2013, resume-se assim:




Isto representou um aumento significativo de volume de treino em relação a 2012 em todas as modalidades mas sobretudo na natação, com um aumento de 63% em distância percorrida.


A tendência em relação aos anos anteriores continua igualmente positiva.


Em 2014, quero mais...


17 de maio de 2013

Duatlo de Torres Vedras - Lições Reaprendidas


Já foi no dia 14 de Abril... A disponibilidade para escrever neste blogue não tem sido a de outros tempos. A motivação também nem sempre é a de outrora. Talvez porque precise de passar por uma experiência intensa que me leve a sentir esta vontade de a registar e partilhar com o mundo. E o que há para contar sobre mais um duatlo? Pouco... Ou talvez não. Por vezes lá surge uma memória da prova e penso – “tenho que partilhar isto”, mas depois vem a questão da disponibilidade... A derradeira motivação surge logo após, ou talvez até durante, o Triatlo Longo de Lisboa. Lá está a tal experiência mais intensa... Mas, sobre esta, escreverei posteriormente.

Quanto ao Duatlo de Torres Vedras, prova disputada na distância standard (10k de corrida, seguido de 40k de ciclismo e terminando com 5k de corrida) e que decidia os campeões nacionais de duatlo 2013, encareia como mais um treino de preparação para os triatlos longos. Acabei por retirar, ou talvez recordar, duas lições importantes.

O descanso na semana que antecede a prova é fundamental
Sabia disso, mas não sendo esta prova um objectivo para este ano, mantive o ritmo de treino de acordo com o plano para o Triatlo Longo de Lisboa. E isso fez-se sentir. Apesar de no primeiro segmento de corrida me ter sentido bem, fazendo uma gestão correcta do esforço e concluindo com um tempo dentro do esperado (39’05”, mais 1 minuto do que a minha melhor marca nos 10k), na segunda corrida, a sensação habitual após o ciclismo de não conseguir alongar os movimentos e que normalmente passa, desta vez não passou e senti-me assim até ao final, tendo feito um tempo bastante modesto de 23’16”.

Planear correctamente a nutrição para a prova
Tinha apenas um bidon de bebida isotónica na bicicleta. Logo após os primeiros km, senti necessidade de beber mais de metade e depois tive que gerir muito bem  até ao final. Mas, o calor começava a apertar e os sinais de desidratação não tardaram a aparecer, dores de cabeça e cãibras... Talvez isso tenha prejudicado a prestação na corrida, embora já me sentisse melhor neste aspecto nessa fase da prova.

Resultado final (214 atletas à partida)
92º geral              47º SEN                2h17’19”

Resultados parciais
Distância Tempo Ritmo
1ª Corrida 10km 00:39:05 3:59/km
Ciclismo 38km 01:13:44 30,81km/h
2ª Corrida 5km 00:23:16 4:39/km

28 de março de 2013

Triatlo de Alpiarça

Era apenas o primeiro triatlo da época, mas nos instantes iniciais mais parecia o meu primeiro triatlo... O fato isotérmico parecia não ajustar-se muito bem ao corpo, a água estava fria, muito fria... Tentativa de aquecimento na água e nem por isso me senti confortável mergulhado na albufeira dos Patudos. Cinco minutos para a partida e saída obrigatória da água. Não parei de tremer até ao sinal de partida. Já não sabia bem se era frio ou ansiedade em enfrentar os 750 metros que teria pela frente, no meio de quase 400 atletas à partida. A primeira bóia parecia muito distante! A distância que normalmente corresponde ao aquecimento num treino de piscina, parecia agora um grande desafio...

Decidi levantar-me às 5h00 da manhã, no domingo dia 24 de Março, para estar presente nesta prova, pois serviria como um bom treino de preparação para o triatlo longo de Lisboa que se aproxima e longe já ía o último treino e competição em águas abertas. Era importante voltar a confrontar-me com a habitual "porrada" na partida e nas zonas de contorno das bóias, treinar a navegação, enfim, o habitual numa prova de triatlo. A verdade é que durante a natação, dei por mim a pensar - "como é que eu vou conseguir nadar os 1900m do triatlo longo?". Várias vezes tive de parar parar me "reencontrar" na sequência de uma "pernada" ou uma "braçada" dos meus companheiros de prova que me íam atingindo...Saí da água com o modesto tempo de 16:00 (2'00''/100m de ritmo, a confirmar-se os 800m reais percorridos indicados por alguns GPS dos meus amigos da AASM). Não correu muito bem, mas agora que escrevo esta crónica, já estou ansioso pela próxima oportunidade para fazer melhor, com calma, ao meu ritmo...

Depois veio o segmento de ciclismo, onde me senti bastante bem e motivado por conseguir aguentar o ritmo do grupo onde acabei inserido. Contando com o tempo de transição para a corrida, percorri os 20km pelo circuito sinuoso de Alpiarça com muitas curvas apertadas e pontos de retorno em 38:59 (ritmo de 30,8km/h). E, finalmente, a corrida, que continua a ser o segmento onde me sinto melhor. Foi a ultrapassar do início ao fim. Senti alguma dificuldade a encontrar o meu ritmo após a transição, o que se deve a falta de treino de transição. Corri os 5km em 19:23 (ritmo de 3'52''), terminando com o tempo final de 1h14'24'' na 192ª posição da geral absoluta, sensivelmente a meio da classificação...

No final, a já habitual foto de família da equipa AASM, que se apresentou com 16 atletas, sendo de destacar o 1º lugar da Anette Kind no escalão V3 feminino e o 4º lugar do Emanuel Marques no escalão V2 masculino.

Sempre grandes momentos estes vividos em provas de triatlo...

6 de março de 2013

III Duatlo de Famalicão - Crónica

Realizou-se no passado domingo, 3 de Março, a 3ª edição do duatlo de Famalicão. Prova disputada na distância sprint, sendo o segmento de ciclismo na modalidade de BTT, a contar para o Circuito Regional Norte. Uma organização conjunta da associação Amigos do Pedal e a Federação de Triatlo de Portugal, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Palavras do presidente da federação, este terá sido o maior duatlo realizado em Portugal!


Penso que o terá dito com base no número de inscritos para esta prova, cerca de 800, mas a organização esteve à altura para acolher um tão elevado número de atletas, oferecendo um evento com grande qualidade a todos os níveis. Os percursos, quer de corrida, quer de BTT, que se realizaram em locais de excelência, foram muito bem delineados e, claramente, tiveram em conta o elevado número de atletas à partida, forçando o alongamento do pelotão antes das zonas mais estreitas ou "single tracks". Tinha estado nas duas primeiras edições da prova e este ano assisti a um salto muito significativo na qualidade da prova, não só pelo novo local onde se realizou, o Parque da Devesa, mas também pelo profissionalismo de toda a organização.

Estava com algum receio, pois a queda e consequente desistência do ano passado ainda estava bem presente. O facto de praticamente não fazer BTT não me dava grande confiança. Na verdade, a minha preparação para esta prova cingiu-se a um treino de BTT na Serra de Valongo uma semana antes, o que serviu para me relembrar o quão débil é a minha preparação no BTT... Mas, agora com o estímulo constante da equipa da Assoc. Académica de S. Mamede, a vontade era grande de voltar às provas e iniciar a época de 2013.


Dada a partida, comecei literalmente a "fugir" o mais que pude para me afastar dos BTT'istas, que estavam em grande, muito grande maioria, e retardar o mais possível a mais que esperada ultrapassagem massiva pela esquerda e pela direita no segmento de BTT.



Cheguei ao PT com o tempo de 18'38'', longe do meu melhor, mas ainda assim permitiu-me iniciar o ciclismo com tranquilidade longe da confusão. Depois o BTT foi o esperado... Fui sempre com cuidado, especialmente na 1ª volta, e perdendo posições a cada minuto que passava... No entanto, nunca cheguei a estar envolvido em grande aglomerado de atletas, como imagino que se tenha passado mais lá para trás. Na 2ª volta acabei por desfrutar um pouco mais do percurso, já com um pouco mais de confiança. Percurso esse que, apesar da minha inexperiência, devo dizer que era bastante acessível.


Chegada ao PT sem quedas. Objectivo cumprido. Agora era correr novamente até à meta, desta vez a recuperar novamente posições, mas não tantas quantas as que perdi no BTT, pois 2.5km passam muito rápido. Terminei com o tempo de 1:20:01, na 57ª posição da geral.


Melhor ainda foi o 3º lugar por equipas da AASM!



Por altura da subida ao pódio, já me tinha feito à estrada para outros compromissos na agenda de domingo... Está inaugurada a época 2013. É disto que eu gosto. Venha a próxima prova!

16 de janeiro de 2013

Uns dizem que está muito frio... Outros dizem que é muito cedo... Outros... Que está escuro... Que está a chover... Perigoso... Sinistro...
Hoje acordei às 5h30... Para ir correr! É o regresso aos treinos madrugadores. Objectivo 1º: treinar fora do horário nobre familiar. Objectivo 2º: preparar-me para encarar com confiança a sequência de triatlos de longa distância que se avizinham a partir de Maio (Lisboa, Aveiro e Caminha). Ao sair da cama, perguntou-me - "Aonde vais?" - ao que respondi "vou correr". Um olhar de espanto, por baixo de uma cortina de sono, uma reviravolta de 180 graus... Estava dado o parecer.

O sentimento de cedo-frio-chuva-escuro assola-me a mente... Hesito... Lavo a cara... Hesito... Visto as calças de lycra, a t-shirt, o impermeável, o colete reflector... Calço as sapatilhas... Consegui! Estou a correr!

Depois de muita água escorrida pelo corpo, uma hora e dezassete minutos e perto de 17km percorridos no sobe-e-desce da cidade da Maia e arredores, estava concluído o treino. A noite permanecia insensível à minha passagem. Continuava escuro, a chover, frio e... Ainda era cedo...

No final do treino a sensação é óptima e apenas me pergunto, mesmo antes de "iniciar"  a rotina do dia, do que é que eu tinha medo...

4 de janeiro de 2013

Balanço 2012

Deixo aqui um sumário dos meus treinos ao longo de 2012. Os valores não terão muito interesse para quem por aqui passar. Faço-o para consumo próprio. É mais uma forma de auto-motivação. Uma forma de perceber o percurso que fiz, como fiz, como me senti e de que forma isso se relaciona com os resultados obtidos. Fazer o registo sistemático dos treinos é mais uma componente importante do treino. Publico-os como uma forma de incentivo, a quem não o faz, de também fazê-lo. Vale a pena.

Total de 2012 em distância [km] por modalidade
E como distância percorrida numa modalidade não significa tempo dedicado a essa mesma modalidade, apresento os gráficos seguintes.
Total de 2012 em tempo [h:m:s] por modalidade
Total de 2012 em tempo relativo [%] de cada modalidade
A corrida continua a ser  modalidade onde me sinto melhor e onde tenho obtido melhores resultados, em termos relativos, nas competições em que participo, o que não será alheio ao facto de 45% do meu treino ser dedicado a esta modalidade, como consequência da leve logística associada. Basta umas sapatilhas e em qualquer lugar se pode correr!

O ano de 2012, apesar da aparente menor disponibilidade para treinar devido ao aumento do "agregado familiar", entre outras condicionantes, revelou-se um ano de aumento muito significativo no meu volume de treino em todas as modalidades em relação a 2011, fruto de alguns treinos às 5h00 e às 22h00... A natação teve o aumento mais significativo, fruto da minha preparação no 1º semestre para o meu primeiro triatlo longo e da minha integração na equipa da AASM Triatlo no 2º semestre. Curioso notar que na corrida, apesar do aumento de 24% na distância percorrida, o aumento em termos de tempo foi de 14%... Sendo mais um indicador que estou a correr mais rápido!
Variação do volume de treino de 2012 em relação a 2011
E como aqui já escrevi, "diz-me como treinas, dir-te-ei como competes", no ano de 2012 acabei por bater todas as minhas melhores marcas nas diferentes distâncias de corrida (10k, meia-maratona e maratona) assim como no triatlo (super-sprint, sprint, olímpico, tendo feito a minha primeira e única distância longa).

Melhores marcas batidas em 2012

3 de janeiro de 2013

Check Out 2012 | Check In 2013

S. Silvestre de Vila do Conde
Para terminar o ano de 2012... a correr! Desta feita, foi no dia 30 de Dezembro pelas 21h00, em Vila do Conde, na reeditada S. Silvestre da localidade que, espero, seja para continuar, pois Vila do Conde é mais um dos locais privilegiados para a prática desportiva a norte do país.

Estive muito bem acompanhado pelos meus companheiros da AASM Triatlo e não só, como a foto o documenta, em mais um momento de salutar convívio, apesar do empenho individual, claro está, como sempre, em dar o seu melhor na prova.


Quanto à minha prestação, estive uma vez mais muito próximo da minha melhor marca nos 10k, mas talvez o treino matinal de natação seguido de uma corrida de 9k não me tenha permitido fazer melhor à noite. Ainda assim, terminei com o tempo de 38'08" e numa surpreendente 18ª posição da geral, num total de cerca de 450 participantes.

Bom dia 2013!

E para começar o ano, nada melhor que uma corridinha matinal para equilibrar a elevada ingestão calórica que a quadra assim o impõe.



Feliz Ano Novo! 

23 de novembro de 2012

1ª Corrida Popular de Matosinhos - 10k


Foi já no passado domingo, 18 de Novembro, que se realizou a 1ª Corrida Popular de Matosinhos. Uma organização da Junta de Freguesia de Matosinhos, com o apoio técnico do atletas.net. O nome da prova, desde logo deixava antever uma organização essencialmente voltada para as pessoas que encaram a corrida como uma forma de lazer, sem grande espírito competitivo. Ainda assim, a prova era cronometrada, com classificação geral e com prémios para os primeiros classificados. Posto isto, os habituais atletas dos mais variados clubes do norte, naturalmente, marcaram a sua presença.

Apesar de toda a boa vontade por parte da organização em levar a bom termo esta prova, acabou por ter falhas graves, tendo em conta que, afinal de contas, se tratava de uma prova com fins competitivos. O trânsito, que se esperava que estivesse cortado ao longo de todo o percurso da prova, afinal em alguns pontos estava apenas condicionado. Os agentes de autoridade foram tentando gerir a passagem dos corredores e dos automóveis, mas o risco foi elevadíssimo...

Depois foi a caricata lista de classificação publicada no domingo à noite! Havia atletas em que apenas tinham registo da primeira volta, aparecendo com tempos de record do mundo. Outros que reclamavam não aparecer na classificação, como foi o meu caso. Houve até quem se queixasse do seu dorsal ter sido levantado por terceiros... Enfim, nova lista lista publicada na 2ª-feira, no meu caso com o problema resolvido, mas muitas vozes ainda se levantaram quanto a erros na listagem, tendo a organização, aparentemente, sido incapaz de os resolver... 

PB 10k - 38'03''
Apesar destas falhas na organização, eu estive no meu melhor nível.... De sempre! Terminei os 10k com o tempo líquido de 38'03'', na 47ª posição da classificação geral, num total de cerca de 1200 corredores. Há algum tempo que sentia que seria capaz de conseguir baixar dos 40', mas ainda não tinha chegado a oportunidade. Mesmo sem treino específico, estava agora determinado em tentar consegui-lo nesta prova de Matosinhos ou nas que se avizinham, Volta a Paranhos e S. Silvestre. Afinal, foi logo à primeira tentativa e com boas sensações ao longo de toda a corrida, tentando gerir o esforço para não passar para o lado de lá (quem corre, sabe que lado é esse).


Fica então agendada a próxima prova para a 55ª Volta a Paranhos no próximo dia 8 de Dezembro.

Até breve!

1 de novembro de 2012

9ª Maratona do Porto

Manhã fria esta que se fez sentir no domingo, 28 de Outubro, na cidade do Porto. Esperei até ao último instante para tirar a roupa e ficar só com o traje de corrida. Coloquei a roupa no saco fornecido pela organização, entreguei-o na carrinha de recolha e corri até à linha de partida em jeito de aquecimento. Não que estivesse muito preocupado com o aquecimento para a prova, mas sim porque tinha frio... Na rua Júlio Dinis já se sentiam rajadas de vento anunciando que o cenário na marginal, onde se desenrolaria a maior parte da prova, seria bem difícil.

Um minuto depois do tiro de partida, tal era a multidão à minha frente, começava então a correr cruzando a linha de partida sem esquecer de pressionar o botão start do meu relógio/cronómetro de 10 Euros, para uma esperada longa contagem. Quando parto para uma maratona, a sensação é que vou fazer uma viagem, uma aventura... Muitas coisas podem acontecer. Muitas sensações estariam para vir. Por esta altura, o objectivo era chegar ao fim, bem, sem sofrimento excessivo, sem percalços...

Ao km 15... 1h04m... A Maratona começa aqui.
Os primeiros 7 km passam-se muito rapidamente, pois o percurso é praticamente sempre a descer, com excepção dos primeiros cerca de 500 metros iniciais a subir. Estava claramente a um ritmo impossível de manter numa maratona. Mas, porquê ter medo? Era a descer e deixei-me ir... Ao km 10, tinha já deixado para trás o balão das 3h15m e seguia a cerca de 5 minutos do balão das 3h00m.

Pouco depois, na rotunda do Castelo do Queijo, despedimo-nos dos corredores da Family Race de 15km que seguem para a meta pela Av. da Boavista. Aí a corrida fica mais silenciosa. Sinto que a aventura começa ali. É como se acabasse de passar o Cabo da Boa Esperança. Só alguns o ousam fazer. Mas este é fácil de ultrapassar, não obriga a uma trajectória especial. É só seguir as indicações. As dificuldades hão-de vir mais lá para a frente, sei disso, mas acredito que vou ser capaz.

Ao km 21... 1h32... "Mais 2 séries de
10k e já está!"
Por esta altura tento não pensar na distância que ainda tenho pela frente e mentalizo-me que, afinal, uma maratona são apenas 4 séries de 10k e mais 2k de passeio da fama. Eu sabia que era capaz de fazer 10k sem dificuldade. Agora era só repetir 4 vezes! A primeira série já estava concluída e a segunda desenrolava-se a bom ritmo. Apesar do vento forte contra, consegui manter um bom ritmo. Sentia-me bem e passei a meia-maratona com 1h32m e mais uns segundos no relógio. Estava em plena 3ª série e com a moral em alta. O percurso passava então pela ribeira do Porto com muito público a aplaudir.

O km 30 já não apareceu com a mesma facilidade do que o 10 e o 20... A partir daqui começo a ganhar respeito à Maratona. Afinal a 4ª série não vai ser fácil, penso para mim próprio. Mas, era a última! Apesar de tudo, tinha chegado até aqui a um ritmo que não estava à espera. O relógio marcava 2h13m e qualquer coisa, o que dava um ritmo médio de 4'30''/km.

Agora já não era capaz de manter o mesmo optimismo das "apenas" 4 séries. Começo a ficar confuso e ao passar o km 32, dou por mim a pensar que ainda faltam 10k... O ritmo já não é o mesmo. As pernas estão pesadas. Os músculos empedernidos. A passada cada vez mais curta.Tinha faltado ao respeito à Maratona e ela agora estava a cobrar-me. Percebi que ia ser difícil.

Ao km 40... Só mais um esforço!
Mas é ao km 35 que um muro de betão se coloca à minha frente. Estava a pagar muito caro o entusiasmo dos primeiros 2 terços da corrida. De um estado de ânimo forte e optimista passei rapidamente a um estado de espírito de incapacidade de acabar a prova. Agora, a única forma que tinha de o fazer, era empurrando o muro de betão com todas as minhas forças, com todos os meus músculos, com determinação e perseverança. Contei todos os metros que percorri lutando para me manter a correr.

Ao km 37, sou novamente alcançado pelo balão das 3h15m, onde seguia um pequeno pelotão liderado pela Manuela Machado. Tentei integrar-me neste grupo, que outrora me pareceu lento, mas já não dava. O meu ritmo agora era mais lento...

E a estrada foi passando pelos meus pés... Até que no último abastecimento antes da meta, ao km 40, parei para tentar recompor a energia. Mas depois de mais de 3 horas a correr, as pernas já não sabem estar paradas ou a caminhar. Correr é a única solução para por fim ao sofrimento. Já com a meta à vista e algumas dezenas de pessoas a apoiar, ganho nova determinação para chegar à meta. Não conseguia passar daquele ritmo que me parecia lento, mas mantive-me sempre a correr nos últimos 1500 metros a subir a Av. da Boavista, que pareciam nunca mais acabar.

42,195 km!
E, finalmente, a passadeira vermelha! O pórtico! E... stop! 3h18m03s.

Fica a sensação que posso fazer melhor numa próxima oportunidade. Talvez apenas com uma melhor gestão do esforço. Talvez com mais respeito pela Maratona. Talvez com menos vento. Talvez...

Durante aqueles últimos quilómetros, só queria acabar com aquilo o mais rapidamente possível e não voltar a pensar em corridas. Agora que escrevo estas linhas, já só penso quando será a próxima! Quero voltar a sentir!

Afinal, definir um objectivo, lutar e sofrer para o atingir e consegui-lo, é das melhores sensações que se pode ter na vida.

Até breve!





24 de outubro de 2012

Na véspera da prova... Não inventes!

A apenas 4 dias da maratona do Porto, recordo a minha tentativa falhada do ano passado. Dou por mim a pensar se estarei a fazer tudo correcto. A alimentar e a hidratar-me bem. Dou por mim atento a todos os sinais do meu corpo quando corro. Será que no dia da prova me vou ressentir de alguma lesão? Será que me vai doer a barriga?

Por vezes na véspera das provas, sobretudo as mais longas e que nos obrigaram a uma igualmente longa preparação, tendemos a exagerar na preocupação de ingerir hidratos de carbono, beber bebidas isotónicas, etc. O único conselho que dou é não mudar em nada os hábitos alimentares. Estes, obviamente devem ser saudáveis e adaptados à actividade física de cada um, mas isso deve acontecer sempre. Se for só na véspera, não terá efeito nenhum.

Na véspera da maratona do Porto de 2011, na obsessão de ingerir hidratos de carbono, descurei o facto que esse alimento pudesse já não estar nas melhores condições. A crónica que se segue, é um e-mail que enviei a um amigo após a maratona.

Até breve!


"On 08/11/2011, at 11:38, "Pedro Reis" <pedrorreis@hotmail.com> wrote:

(...)
Pois, como te disse, a manhã de domingo foi muito má. Até começar a correr, sentia-me muito bem, mas mal comecei a dar as primeiras passadas apareceram os enjoos. Tentei controlar a respiração para ver se passava, mas a verdade é que ficava cada vez mais mal disposto à medida que os minutos passavam. Até que à entrada da Av. Brasil abandonei o grupo e corri em direcção à praia... 10 minutos depois voltei à estrada e recomecei a correr, mas não me sentia melhor... Até que tive que fazer nova visita às rochas da praia dos Ingleses. 15 minutos depois estava de novo na estrada, na expectativa de poder retomar a corrida, mas foi sol de pouca dura... Voltei ao mar logo após a praia do Ourigo... Desta vez já com mais experiência no procedimento, vesti os calções e desatei a correr pela a areia fora e em tempo recorde estava de novo na estrada. Acelerei o ritmo para tentar recuperar o tempo perdido. Passei os 10km já com o tempo de 1h10. Ainda acreditava que podia chegar ao fim com menos de 4 horas. Nessa altura só pensava em beber água, mas sabia que só a voltaria a degustar aos 15km... Mas as cólicas voltaram e obrigaram-me a parar várias vezes para me baixar e suportar a dor. Agora já não tinha mar, mas sim rio... E o acesso era quase impossível se não quisesse irremediavelmente ficar por lá em convívio com as tainhas... Finalmente a água! Bebi um pouco... Logo a seguir a cólica mais forte que me fez disparar em direcção ao parque de estacionamento da alfândega, onde estacionei por longos minutos... Valeu-me a garrafinha de água para repor a higiene... Desta vez o regresso à estrada deu-se a passo, já completamente fraco e com a moral em baixa. O relógio marcava 1h54... Enquanto pensava no que ia fazer a seguir, uma voz perguntou-me -"Então pá, o que se passa?" - era o meu pai! Let's go home...

Cheguei à meta em tempo recorde, mas apenas para levantar o saco com a roupa e sem direito a brindes nem fotos...

Volto a tentar no próximo ano!

Grande abraço,
Pedro" 

9 de outubro de 2012

Meia-Maratona de Ovar

Só lá estava quem queria, de facto, correr. Não havia figuras públicas de outras áreas da sociedade, normalmente convidados (leia-se pagos) para promover a prova... Ou seja, para promover a visibilidade dos grandes patrocinadores. Estes também não estavam presentes, mas sim as pequenas empresas locais, maioritariamente sociedades unipessoais, que ajudam ano após ano a colocar de pé este evento. Também não se viram as figuras internacionais do atletismo, habitualmente provenientes de países como o Quénia ou a Etiópia. Mas estavam lá os nossos principais atletas que habitualmente representam o país nas maiores competições internacionais. Por ventura, terão até maior impacto no incentivo à participação na prova e na prática de desporto em geral, pela natural maior afinidade cultural e física com a nossa população. Nos minutos que antecedem a partida, sente-se a simplicidade de uma prova de rua organizada por um grupo de amigos. O apresentador da prova poderia não ser a pessoa mais eloquente, mas as suas palavras transbordavam paixão e ansiedade por se aproximar mais uma partida. Esta emoção instala-se na alma dos atletas que se aglomeram na linha de partida. Apesar desta simplicidade, sente-se também um elevado empenho e rigor por parte da organização para levar a bom termo a realização do evento. Facto que tem acontecido ano após ano e com muito sucesso. Apenas não se sente a exuberância de outros eventos realizados nas grandes cidades.

A Meia-Maratona de Ovar ganhou notoriedade assim.  Simples mas com qualidade para os atletas. O percurso é excelente. Sempre com bom piso, passando pelo centro da cidade, por estradas ladeadas pelo pinhal, uma passagem à beira-mar e ainda passando junto à ria. E as pessoas que assistem ou se cruzam connosco na sua caminhada? Fantásticas, transmitindo-nos sempre simpáticas palavras de incentivo.

Claro está que gostei muito de fazer a prova e mais ainda por ter conseguido bater o meu melhor tempo. No final o relógio marcava 1:26:56.

Foi assim no domingo, 7 de Outubro.

Ovar, até para o ano!


1 de outubro de 2012

IV Triatlo Varzim Lazer


A foto diz tudo. Estive lá e, verdade seja dita, levado a reboque pelo excelente desempenho dos meus companheiros da AASM, pela primeira vez na minha "carreira" desportiva no triatlo pisei o pódio, fruto do 3º lugar alcançado pela AASM na classificação geral por equipas. Obrigado companheiros! A sensação foi muito boa, mas melhor mesmo foi fazer os 300 metros de natação, seguidos por 10 km de ciclismo e finalmente 2,2 km de corrida, sempre no red line. É um triatlo diferente que, para além de ser muito rápido, tem a particularidade do segmento de natação se disputar em piscina coberta. Mais uma vez pareceu-me uma porta de entrada para novos praticantes da modalidade.

Em relação ao meu principal adversário, eu próprio, consegui bater o meu melhor tempo nesta distância, terminando em 32'41'' (24º da geral em 70 atletas).

A manhã de sábado começou com 25 km de bicicleta, de casa até à P. Varzim para fazer a prova, e no final mais 25 km para o regresso a casa. O próximo objectivo é a Maratona do Porto a 28 de Outubro, pelo que ontem, domingo, fiz o meu último treino mais longo, 29 km. A partir daqui será sempre a descer o volume de treino.



No próximo fim-de-semana, 7 de Outubro, espero fazer a Meia-Maratona de Ovar.

Até breve.

18 de setembro de 2012

Triatlo Olímpico de Aveiro e Meia do Porto

Aveiro recebeu este fim de semana a comitiva nacional e internacional do triatlo, tendo o programa sido preenchido pelas provas da Taça da Europa de Júniores (disputada na distância sprint 750m+20km+5km) e Campeonato Nacional Individual (disputada na distância olímpica 1500m+40km+10km) no sábado, e pela prova do CN de Clubes disputada no formato de estafetas no domingo.

Com as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo governo, sobre as quais não me vou pronunciar aqui, uma coisa ficou certa, o meu raio de acção ficou muito mais limitado no que diz respeito à participação em provas de triatlo, por razões óbvias de carácter orçamental... Mas, Aveiro ainda fica abrangida por esta área e lá fui para participar na prova olímpica com o objectivo de acabar "bem" e fazer melhor do que no ano passado. Por esta altura tinha já decidido que iria fazer a Meia-Maratona do Porto na manhã seguinte, pelo que o objectivo do fim-de-semana estava traçado, fazer as duas provas (sábado à tarde e domingo de manhã) e ainda estar totalmente disponível no domingo após a "meia" para as minhas filhotas, o que implicava ficar com uma boa dose de energia ainda...

Menos 33% de atletas à partida
Mesmo tendo em conta que do programa faziam parte provas internacionais, estava com a sensação quando cheguei a Aveiro que havia menos pessoas (atletas e público) nas imediações do parque de transição. Os números não enganam: uma quebra de 33% na lista de inscritos para a prova do CN Individual em relação ao ano anterior.

Foto: Afonso Estêvão
Nº Inscritos        Ano
129                        2012
193                        2011
190                        2010

Não sei se por razões idênticas às que descrevi...

Água muito melhor!
Já muito se disse e se escreveu sobre a qualidade da água na ria de Aveiro. Invariavelmente, os comentários são sempre negativos. Invariavelmente também, desde a sua primeira edição, a federação volta a organizar a prova no mesmo local e acabamos por lá voltar sempre, com alguma reserva é certo, mas na esperança que seja apenas uma situação desagradável mas que não seja prejudicial à saúde. Bem, quem este ano decidiu não ir por receio da água... Arrependa-se! Pois, na verdade, não tenho nada a apontar. A visibilidade continua nula, o que acaba por ser normal. Quanto a maus cheiros ou objectos estranhos, nada. Por vezes, nos treinos de mar em Matosinhos sente-se a água pior do que aquela que encontrámos em Aveiro. O que quer que o município tenha feita, foi bem feito. Aveiro merecia há muito ter esta qualidade.

Foto: Afonso Estêvão
A minha prova
Na partida, a confusão do costume... Enquanto os atletas da frente iniciavam a um ritmo forte, na luta por uma boa posição à entrada do canal, deixei-me ficar um pouco para trás (facto que aconteceria inevitavelmente mesmo que não fosse propositado) e iniciar o segmento de natação com calma e ir aumentando o ritmo com o desenrolar da prova e em função de como me fosse sentindo. A partida acabou por correr bastante bem e sentia que estava a nadar a um bom ritmo nos primeiros 300m (a julgar pela velocidade com que a margem se "deslocava" no sentido contrário), tirando partido do menor arrasto, fruto das "bolhas" criadas pelo grupo que seguia na minha frente. A partir daí, como se de uma selecção natural das espécies se tratasse, aliás como sempre acontece nas competições, as posições de cada um foram ficando definidas e, embora sentisse outros atletas por perto, não houve toques. Excepção feita na bóia de retorno, onde voltou a haver algum aglomerado, mas tudo correu sem problemas. Estava a sentir-me bem, a nadar no meu ritmo e era só manter até ao fim. A cerca de 400m do final, um percalço... Levo um pancada na perna esquerda que me provocou uma cãibra nos gémeos. Algo terá corrido mal na minha alimentação, pois a pancada, por si só, não explica este efeito. Tentei aguentar-me a nadar sem bater a perna esquerda, ou a bater muito devagar e lá acabou por ir ao sítio. Apesar disso, saí da água com uma boa sensação e com o tempo de 33'59'', menos 1'10'' do que o tempo do ano passado e muito menos cansado.

Pernas para que te quero
A partir daí, só deu pernas! Primeiro na bicicleta, onde fui incapaz de alcançar alguém à minha frente, mas mantive o ritmo que estava à espera, 30km/h de média num percurso muito sinuoso de 6 voltas, cada uma com 4 subidas curtas acentuadas, 1 subida longa, 1 descida com vento desfavorável, 4 pontos de retorno e mais umas curvas apertadas. Creio que será um dos percursos mais difíceis do calendário nacional na distância olímpica. Quem diria, sendo Aveiro uma cidade reconhecidamente sem desnível e boa para andar de bicicleta...

Foto: Afonso Estêvão

Depois foi a corrida, onde me sinto mais à vontade e fui recuperando várias posições, com o tempo de 44'35'', correspondendo ao 62º melhor tempo (ou 67º pior tempo), cortando a meta na 96ª posição da geral com o tempo de 2h40'17'' (menos 17 minutos que em 2011 no meu primeiro olímpico). A mazela da natação ficou lá até ao fim, mas deu para aguentar.

Foto: Afonso Estêvão

No final, acabei bem como desejava e já a pensar nos 21,1km que iria correr na manhã seguinte...


Ultrapassar as barreiras da mente
Ao acordar na manhã seguinte, apercebi-me que afinal, apesar de ter terminado bem no dia anterior, o esforço tinha deixado marcas, em particular nos gémeos da perna esquerda. Aquilo que tinha sido apenas uma decisão espontânea em inscrever-me na prova, já se tinha tornado num grande objectivo. Tinha que provar a mim mesmo que seria capaz de correr a meia-maratona, partindo já cansado de uma prova no dia anterior. Desistir não era a opção. Afinal seria um bom treino para a Maratona em Outubro...

A verdade é que depois de um breve aquecimento, senti-me bem e fiz a prova toda de forma confortável, a desfrutar do momento e sem sofrimento, terminando com o tempo de 1h33'37'' (4'26''/km de média), a apenas 1 segundo do meu melhor tempo conseguido nesta prova no ano passado! Afinal, os limites físicos ainda estavam muito longe. Era a minha mente que me estava a colocar barreiras no caminho. Os gémeos choram, mas só pode ser de alegria...




24 de julho de 2012

I Triatlo de Esposende - Crónica



Esposende recebeu este fim-de-semana, 21 e 22 de Julho, a comitiva nacional do trialto. O programa contou no sábado com as provas do Campeonato Nacional Jovem e uma Prova Aberta destinada a atletas não federados, constituída por um segmento de natação de 300 metros, seguido de um segmento de ciclismo de 8km e terminando com um segmento de corrida de 2km. No domingo disputou-se a prova do Campeonato Nacional de Clubes, na distância Sprint (800m de natação, 19.3km de ciclismo e 5km de corrida), contando com a presença de 152 atletas à partida, distribuídos pelos diferentes escalões etários.

Tinha que lá estar
Com o recente crescimento do agregado familiar, o tempo para treinar tem sido reduzido face ao que estava a treinar nos primeiros meses deste ano, continuando à procura de uma rotina de treino. De qualquer forma, as duas últimas semanas de férias para descanso em família ajudaram para aumentar um pouco o volume de treino, tendo mantido o despertador para as 6h30 neste período...

Mas, Esposende é mesmo aqui ao lado e com tão poucas provas realizadas no norte do país, não podia desperdiçar esta oportunidade. Mais... Com a minha recente adesão ao clube de triatlo da Associação Académida de S. Mamede, esta seria a primeira oportunidade de competir com as cores deste grande clube que me recebeu de braços abertos e que desde logo me conquistou pelo excelente espírito de grupo que se sente entre todos os atletas, tornando o ambiente bastante familiar, não deixando, porém, de ser um clube muito bem organizado.

Natação. Pela esquerda ou pela direita?
Hora da partida: 11h45. Pouco habitual nas provas de triatlo mas ao que parece terá sido para aproveitar o início da maré a baixar tornando a corrente favorável ao sentido da natação. Segundos antes da partida confirmei ainda com os meus companheiros, que iriam seguir mais ou menos ao meu ritmo, que seria 1ª e 2ª bóias à direita e a 3ª à nossa esquerda, tal como me lembrava do mapa de percursos e que aqui recordo.


Afinal, a 3ª bóia também era para fazer à nossa direita. Apercebi-me já mesmo em cima com o barco da organização a forçar-me a fazer um desvio de 90º. A mim e a muitos outros atletas. Fiquei sem perceber esta alteração ao percurso. Não sei se a organização fez algum briefing antes da partida... Enfim, foram mais 50 a 100 metros do que o previsto já sem a corrente a ajudar. Ainda assim, à saída da água o relógio marcava um tempo inacreditável de 12'51''. Sem a corrente a ajudar, jamais teria feito estes 800m (e mais qualquer coisa) neste tempo. Só dá mesmo para acreditar quando me comparo com os restantes atletas e confirmo que me mantenho na cauda do pelotão. Saía do PT na posição 124.


Ciclismo
Um percurso totalmente plano e muito rápido (para quem tivesse pernas). O vento fez-se sentir forte de NW tornando mais difícil cerca de metade do percurso, mas claro está, como a outra metade é em sentido contrário, dá para compensar. Senti-me sempre bem, fiz o meu ritmo (média de 31 km/h) e consegui desfrutar do momento. Muito público que se deslocou à marginal para mais um passeio de domingo e acabou por ficar a assistir à prova e apoiar esta nossa espécie que, apesar de em grande expansão, continua a ser rara para o conhecimento da maioria dos cidadãos.

E finalmente a corrida
Aqui fui recuperando várias posições. É, de facto, onde me sinto mais à vontade. O percurso era, uma vez mais, muito agradável e com um piso excelente. Fiz os 5km em 20'25'', o que dá um ritmo médio de 4'05/km, terminando a prova na 100ª posição. Fiquei satisfeito com meu desempenho e, sem dúvida que o facto de estar integrado numa equipa tão simpática me ajudou bastante. Por vezes a simples troca de olhares cúmplices faz-nos ganhar força para darmos ainda mais de nós. Agora que escrevo isto, já só penso "venha a próxima"!



Nota máxima para Esposende que revelou ser um local de excelência, entre outras coisas, para a prática de triatlo e para a organização de um evento destes. Oxalá seja para manter esta prova no calendário dos próximos anos!

Até breve!

18 de junho de 2012

II Triatlo de Espinho


Realizou-se no passado sábado, dia 16 de Junho, a 2ª edição do Triatlo de Espinho, prova disputada na distância Sprint (750m de natação, 20.9km de ciclismo e 5km de corrida) a contar para o Campeonato Nacional de Clubes. Tratou-se, na verdade, do primeiro triatlo de Espinho, uma vez que na 1ª edição, realizada em Outubro de 2011, o segmento de natação foi cancelado devido às condições adversas do mar, tendo a prova sido disputada na modalidade de duatlo sprint.

O evento deste ano incluiu ainda uma Prova Aberta, disputada na distância Super Sprint (300m de natação, 7.26km de ciclismo e 2.5km de corrida), essencialmente destinada a "atletas" não federados que fariam aqui a sua estreia no triatlo. No entanto, esta prova contou apenas com 20 atletas à partida, a maioria dos quais sendo atletas federados dos escalões Júnior e Cadete. Talvez o mar, em particular as condições que o mesmo normalmente apresenta nesta zona do país, seja uma barreira difícil de ultrapassar para atrair novos praticantes a esta modalidade...

Voltando à prova Sprint do CN de Clubes, estiveram presentes à partida 128 atletas, dos diferentes escalões etários, tendo cortado a meta 123. Saíram vencedores, no sector masculino, Rafael Ribeiro, do Alhandra Sporting Clube, atleta ainda Júnior a impor-se a toda a concorrência, e no sector feminino foi Melanie Santos, também do Alhandra Sporting Clube, a levar a melhor sobre as restantes concorrentes.

A minha prova
Desde a minha última participação numa prova de triatlo, a 5 de Maio, no Triatlo Longo de Lisboa, valores mais altos se levantaram na minha vida, pelo que o tempo dedicado ao desporto tem sido diminuto. No último mês, apenas fiz 5km de natação (4 treinos), 49km de ciclismo (1 treino) e 85km de corrida (8 treinos)... Já aqui escrevi sobre o tema "diz-me como treinas, dir-te-ei como competes", mas não podia desperdiçar a oportunidade de participar num triatlo aqui tão perto de casa.

Logo após um breve aquecimento na água pude constatar que nadar naquele mar não iria ser tarefa nada fácil. Sendo a natação uma modalidade em que sou ainda um principiante, qualquer período de paragem, mesmo que seja apenas uma semana, reflecte-se de imediato na forma como me sinto na água. As condições do mar não eram nada para principiantes como fazia entender a bandeira amarela hasteada pelo nadador-salvador...

Natação
Os primeiros cerca de 300 metros em direcção à primeira bóia (em afastamento à praia), mesmo contra as ondas, correram relativamente bem, estando cercado por vários atletas, facilitando a navegação e tirando algum partido da redução da força de arrasto. Entre a 1ª e a 2ª bóia (na direcção paralela à praia), ainda consegui manter-me nesse grupo, mas é na saída da 2ª bóia em direcção à praia que comecei a sentir grandes dificuldades. A praia parecia ainda muito longe, as ondas eram enormes encobrindo por momentos completamente a praia e os edifícios da marginal. Já tinha descolado do grupo em que estava inserido, estava em esforço e parecia que não saía do sítio. Embora cada onda ajudasse a aproximar-me da praia, logo após a sua passagem sentia-me novamente arrastado para o mar. Por momentos, pensei em desistir e pedir socorro ao barco de apoio... Mas é nesse momento que percebo que há mais atletas com dificuldades semelhantes. Houve mesmo quem pedisse ajuda ao barco. Já não faltava assim tanto. Era "só" continuar a nadar com calma, aproveitar as ondas para progredir e, quando a corrente parecia não me deixar avançar, continuar a nadar com calma sem colocar demasiado esforço para a contrariar, pois nova onda viria para me ajudar a progredir mais uns metros. E assim foi até atingir a praia, finalmente, ao fim de 17m24s. Desafio superado!

Ciclismo
O percurso era bastante sinuoso, com muitas curvas, pontos de inversão, subidas e, o pior, zonas de empedrado. Talvez pelo desgaste causado pela natação não consegui andar ao ritmo que estava à espera e a dada altura percebi que naquele dia o meu corpo não dava mais, por isso segui um ritmo confortável na expectativa de que na corrida me sentisse melhor...


Corrida
Não sei se foi do desgaste causado no primeiro segmento da prova, da falta de treino que tenho tido, de uma eventual falta de motivação ou simplesmente não era o meu dia, a verdade é que mesmo a correr, onde normalmente me sinto mais à vontade e consigo recuperar algumas posições, não consegui reencontrar-me, tendo mesmo sentido algumas náuseas...


No final acabei com um tempo modesto de 1h22m31, na 109ª posição da geral e, pela primeira vez, na honrosa última posição do escalão Sénior... Algum dia teria que ser... Como costumo dizer, atrás ficaram os que não conseguiram terminar e os que não tiveram a coragem de tentar. Gosto de ver as coisas pelo seu lado positivo e, nessa medida, fiquei satisfeito com esta participação, uma vez que ao longo da prova tomei consciência do meu limite, mesmo sendo inferior ao habitual, sem tentar irracionalmente contrariá-lo, o que poderia colocar em risco o meu bem-estar e consequentemente levar a uma desistência. Assim, ajustei o meu ritmo e concentrei-me no objectivo de chegar ao fim. Valeu a pena.

7 de maio de 2012

Lisboa Triathlon - Fantástico

Quando iniciei a última volta do segmento de corrida, entrando nos últimos 5,275 km, um misto de sensações começava a apoderar-se de mim... Ora chorava, ora ria à gargalhada! Pensar no que já tinha deixado para trás dava-me motivação e força para continuar. Começava a acreditar que iria ser possível alcançar o objectivo, sem lesões, sem sofrimento excessivo. Afinal estava preparado! Mas, ao mesmo tempo, sentia-me emocionado com o aproximar da meta, não só pelas mais de 5 horas já passadas em pleno esforço físico, mas também por todo o percurso de treino que fiz até ali. Por todas as madrugadas que saltei da cama para treinar, de noite, por vezes a chover... Gosto muito de praticar desporto, nadar, andar de bicicleta, correr... É assim que quero viver, em plena harmonia com a minha vida familiar e profissional, mas, de facto, para chegar até aqui tive que me submeter a algum sacrifício e muita disciplina, precisamente para não abdicar de estar com a minha família. Tinha valido a pena todo esse esforço. Eu sabia que eles iriam ficar orgulhosos de mim, o meu pai, que me acompanhou a Lisboa e se manteve de pedra e cal durante toda a prova a dar-me apoio, a minha mãe, a minha esposa, que só não me acompanhou porque a barriga já impõe respeito e precaução e as minha filhotas Beatriz e Inês, esta ainda na barriga da mamã. Muito obrigado por me fazerem feliz.

Após 5h36m46s e 1.900 metros de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida, cortei a meta. Que sensação fantástica! Sem dúvida, foi a prova que mais prazer me deu fazer, não obstante os momentos difíceis que foram surgindo com o acumular da fadiga física e psicológica. Um excelente desafio à nossa capacidade de determinação.




Para muitos, mesmo muitos, para além dos 257 que ficaram à minha frente, trata-se de um feito em nada especial... Mas por favor, deixem-me viver este momento! Há bem pouco tempo achava que isto seria impossível para mim...

O Triatlo Internacional de Lisboa é uma prova fantástica. Excelente organização. Um enquadramento paisagístico de excelência. A presença de atletas oriundos de todo o mundo. O preço a pagar por isto parece-me excessivo...



Até breve!